quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Depois de tudo...


No início, quando tudo era vazio e escuridão, o amor trouxe tudo.
O amor ergueu montanhas, planteou as árvores, vagueou os rios, criou nós animais e deu nos vida. Vida sem amor é existência, vida com amor é um presente divino.
O amor me deu tudo, minha vida, minha existência e tudo aquilo que sou capaz de amar. Eu sei que o amor está em mim. Eu sangrei, eu sorri, eu fiz tudo, tudo que eu podia pelo amor que há em mim. Nem sempre dá certo, nem sempre é o bastante, nem sempre nos preenche. Eu pequei talvez, pequei por não saber quem amar, não saber como amar...
Sinto saudades de tudo. Sinto saudades de sentir o calor do seu abraço, sinto saudade de te ver sorrir e dizer que eu te faço feliz. Sinto falta do meu coração bater fora do peito, dos meus olhos se encherem de lágrima, sinto falta da dor, sinto falta de tudo isso. Saudades de querer com todas as minhas forças sair andando pelas montanhas e florestas, sonhando com um espírito selvagem dentro de mim.
Você foi tudo para mim. Você preencheu meu vazio, me mostrou um caminho que eu não conhecia. Um caminho para dentro do meu coração e dessa forma, pela primeira vez em minha vida pude com os dedos leves tocar a minha alma.
Meus olhos aprenderam a apreciar seu brilho, a leveza do seu toque, meu coração aprendeu a bater ao mais simples sorriso. Eu aprendi a leveza de um sentimento, a serenidade de amar, a fúria de uma paixão, a dor e o sacrifício, que não menos importantes, mas mais ainda provadores do amor. Amar é isso, é deixar as pessoas irem, viverem, perdoar... Eu perdurei no meu intento, aprendi inúmeras formas de provar o amor, mas ainda não aprendi a pedir desculpas. Não aprendi ainda a olhar para dentro, não aprendi ainda a ser corajoso.
Se choras, é por culpa minha, mas não pelo que faço, é pelo que deixo de fazer. É por não possuir coragem e sim medo, medo de te ver sumindo no horizonte, medo de nunca mais ter você aqui pra mim, olhando por mim, pensando em mim. Eu sei que é egoísmo da minha parte, mas não seria amor se não fosse egoísmo.

Talvez eu tenha aprendido um pouco mais do que é amar. Amar é fazer bem, é fazer feliz, permitindo que seja livre. Eu tenho consciência disso, mas ainda assim meu medo prevalece. Se eu não deixo que vá é por medo. Há sim amor em mim, há sim consciência de que e melhor que vá, mas o medo me consome, medo da sua ausência, das minhas noites em silêncio, da falta da sua companhia, medo do meu lugar no seu coração ser substituído, medo de nos momentos mais tristes não ter uma das pessoas que mais amo.

Eu sou uma melodia triste, uma melodia de inverno, fria e vazia. A minha paz está nas solitárias florestas, entre as árvores, sob o céu, sob as nuvens, dançando na neve. Desculpa se fui tão frio, desculpa se não tive calor na alma, se não tive coragem no coração. Me desculpa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vida



Pensando bem, todos nós buscamos um sentido para a vida. Ou melhor, para viver. Cada dia, melhor dizendo, escolhemos regras de contuda pela qual guiamos nossas vidas e o modo como agimos. Tudo depende do seu momento, do seu espírito, da forma como você reflete a si mesmo no mundo.



Tem uns, por escolha própria, em raras excessões, decidem ver o lado bom das pessoas. Fecham os olhos para os erros e constam que ajudar é preciso, não impotando coisa alguma. Há aqueles que nascem cruéis, sempre alheios aos outros e há aqueles que se revoltam vez ou outra com a vida e com as pessoas.



Vamos admitir que todos somos aqueles que veem os dois lados de uma moeda. Ora, guiados pelo nosso próprio coração e com as condutas morais estabelecidas, fazemos o bem. Ora vivemos nossos momentos rebeldes, egoístas e cruéis.



Quer saber? A vida não é um jogo com suas regras e objetivos. Digo mais: não existe certo nem errado nessa vida. Eu só digo uma coisa com toda a minha certeza "A vida é feito um espelho, tudo que se faz aqui reflete lá.".



Pare de achar sentindo na vida, pare de buscar filosofia a se seguir. Siga a sua, sua filosofia informal, sua regra de conduta, porque mesmo que ela não seja aceita pelos padrões e leis sociais, são o que você acha certo, é o que te guia e te coloca no rumo. Faça o que te faz melhor, encontre o que quer fazer, dane-se o mundo, dane-se as pessoas, porque quando tudo acabar você vai olhar para trás e ver apenas o que fez para si mesmo. Não importa o que seja, se foi se mexer ou permanecer sentando. Se foi dançar ou dormir, se foi trabalhar ou curtir a vida, vai ser apenas aquilo que lhe fez bem. Apenas isso e nada mais.









"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela."- Charles Chaplin

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rocky "dream" mountains




Quando seu sonho é barrado.Quando aqueles brilhos nos seus olhos se apagam e o calafrio no seu estômago se aquece, dá vontade de chorar. É ruim se decepcionar, pior ainda quando você se empenha naquilo. Eu sei que eu devo crescer com as barreiras e não me lamentar, mas é difícil segurar as pontas quando você já imaginava cada detalhe de tudo aquilo num futuro bem próximo. Quando você alimentava esperanças e desejos, também planos. Acho que pra piorar, o sonho já estava tão ao alcance de minhas mãos, mesmo ainda tão longe, que já imaginava os rostos que conheceria, os lugares por onde eu pisaria, como seria meus dias. É difícil, é muito difícil.
Hoje talvez eu fui decepcionado, como nunca fui na vida, pois que nunca tive um desejo tão grande e tão forte como esse. Mas essa é a vida. Existem e existirão situações bem piores. Espero que eu esteja preparado para tudo isso.





“Pois que vi meu próprio castelo de sonhos romper-se e decair sob a rebentação. Mil ventos uivantes podem derrubar um sonho, mas nem um milhão irão desintegrar a base sob o qual se assenta.”- Luigi Rajão

segunda-feira, 27 de junho de 2011

No dorso do cavalo







Você se lembra quando o sol se punha sobre a colina?
Você se lembra quando éramos eu e você, um só, percorrendo milhas e milhas em direção ao norte? O norte selvagem.
Acampávamos em alguma clareira e dormíamos em volta do fogo. Você me acordava quando ainda era noite e víamos o sol surgir secando o orvalho da grama enquanto o aroma do café subia pelos ares. Eu conversava com você e me lembro bem quando a sua resposta era dada com o olhar. É claro que eu sabia o que queria dizer aqueles olhos.
Quando tudo estava pronto partíamos, sem rumo, sem destino, sem razão.
Não precisava laça-lo, nem ata-lo a corda alguma, você simplesmente queria ficar comigo e eu poderia dormir quando quisesse que eu sabia que me guiarias.
Me lembro bem o quanto gostávamos de ficar abaixo de um velho salgueiro, bem a tardinha, tocando a minha velha gaita. Ah, aquele som. Eu posso jurar que aquilo é o som do coração dolorido.
Eu só precisava de você, dois parceiros, trotando pelos vales montanhosos, margeando os rios, escutando os lobos selvagens na floresta uivando para a lua, correndo atrás dos corcéis selvagens...
Um homem e sua montaria.
Agora o cowboy se foi. Sou eu sem meu cavalo. Andando de trem, aquele mesmo trem que cortava o país a qual chamávamos de serpente de ferro. Ele apita pelas montanhas, entre árvores, transpondo precipícios e comendo milhas e milhas.Nunca fui dado a religiões, você sabe, mas eu de alguma forma acho que você ainda percorre os vales, entre as gramas verdejantes, como um corcel vindo da natureza. Imagino a sua crina amarela balançando ao sabor do vento, suas poderosas patas levantando a poeira e seu relincho se misturando a corrente do rio.

terça-feira, 21 de junho de 2011

O doce sabor da guerra



Flâmulas dançavam ao vento. O sol descia lançando raios de ouro sobre mim. As nuvens corriam pelos céus ao sabor do vento, mas eu não estava nada bem.
Banhado de sangue dos pés a cabeça, ferido e cansado, eu pairava sozinho entre mortos num campo de batalha. Minha espada ainda pingava sangue e o que eu ouvia eram os gemidos moribundos dos feridos, ou o barulho do sangue em borbolhas que saia em profusão das gargantas, ou até mesmo o grasnar dos corvos que rodeavam a carnificina em busca de alimento.
A guerra. Alguns dizem ser ela um grande mal, outros se deliciam com seu sabor, outros apenas a cumprem, marchando para a morte sem pestanejar. Uns como eu, não gostam nem desgostam, somente lutam pois é isto que fazemos. Nascemos para matar. Fomos treinados para isso... e cá estou eu, depois de anos de batalha, surpreso com tamanha brutalidade.
Não há heroísmo, nem mesmo bravura ou coragem. Quando soam os tambores e os gritos dos arautos, os homens marcham, marcham para a morte na frente de batalha, mas todos tremem. Mijam e tremem.
Alguns fogem, outros dançam, poucos lutam. Os que lutam, fazem-no loucamente, girando suas espadas e suas achas de batalha, ferindo amigos e inimigos, no círculo da morte. Quando todos vão tombando, o sangue escorre pela terra, unindo-se a urina e ao suor, criando um lamaçal viscoso. Os cavalos reviram seus olhos, empinam e relincham, jogam seus cavaleiros no chão e galopam para bem longe dali.
Quando a batalha acaba, resta apenas cinzas, fumaça e um odor insuportável no ar. Poucos vivem. Se Deus for o todo misericordioso, faz chover logo sobre a terra, lavando a alma dos vivos.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

O selvagem garoto bom



A ele um homem em repleta solidão, com seu café e sua mente voltada aos livros e filmes.

A ele um homem de talento sublime, no qual veio a se expressar e nos honrar com sua suave e rude poesia.

Aos seus textos que nos faz refletir, viajar e deliciar.

A ele, o nosso tão amado menino homem que conseguiu passar por cima de todos os seus medos,

e mostrar o quanto é capaz de acalmar almas com suas palavras de sabedoria.

Ao tão compreendido e incompreendido rapaz de coração puro e nobre. Capaz de fazer com que todos se encantem.

A ele, o verdadeiro príncipe que conquistou o coração da tão nobre plebéia.

A ele, a quem devo os momentos mais felizes da minha vida.

A ele, o autor deste blog. Luigi Rajão. O homem no qual me orgulho.

O meu exemplo, a minha inspiração.

Amo-te !

Viviane A. Carvalho

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Convocação


Reservo-me na minha legítima e alta soberania convocar-vos súditos, infantes e homens de força. Incurtidos de coragem, lealdade e boa fé, eu os chamo para pegar em em armas e honrar a nossa pátria. Pois que assim, no cumprimento de seu dever, apresentem-se diante à flâmula com seus escudos e armas de batalha.
Quem atenta à nossa ordem vigente são aqueles os bárbaros, que contestam o poder divino a mim concebido e, nessa afronta, não mais querem do que apenas questionar o Nosso Pai e Soberano da terra, Aquele acima de tudo e todos e de poder inalienável, Pois que não devemos fugir da nossa lei de meros devotos. Alcemos assim a flâmula de nossa igreja e lutemos contra esses hereges e praticantes da barbárie. Diabos sem lei, selvagens errantes.
Unir-vos as tuas forças e a força d'outros amigos, cavalguemos antes do inverno e tomemos tudo daqueles paridos pelo pecado e pobres coitados perante o Nosso Senhor.
Dotado do poder que me foi concedido e regido pela honra, subjulga-los-ei pelo não cumprimento do dever, pois aquele que não atender ao chamado de seu soberano e Rei, terá a sua terra salgada, seus animais tomados e sofrerá pena de lei e desonra pública. Aquele que atenta perante a convocação de seu senhor não é mais do que um desordeiro e inimigo do reino, assim como sua família e seus bens.