terça-feira, 9 de abril de 2013

O pouco que tenho


Eu tenho a ganância dos sábios que sempre querem saber de tudo um pouco.
Eu tenho a paixão dos poetas, que não temem amar e assumem o gosto do sofrimento.
Eu tenho a ingenuidade dos bons, que lutam pelo seus e se esquece de lutar por si mesmo.
Eu tenho igualmente a fragilidade das mulheres, que colorem com fogo os sentimentos do coração.
Infelizmente eu tenho o pecado dos homens, que canibais, dilaceram o teor da carne.

O que eu não tenho é a cólera dos ímpios, que possuem a petulância de apedrejar a fé do homem.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Deixa viver


Deixa estar que o tempo passa.
O tempo voa! Tão rápido que o café esfria,
a cor descolore,
o coração murcha e congela, pega frio igual o café.

Deixa estar que o dinheiro vai e vem
o amor vai e vem, mas as rugas ficam,
rugas de sorrisos e olhos risonhos.

Deixa estar. Deixa chover. Deixa cair.

Deixa que falem, deixa que aconselhem, deixa que fiquem por lá.
A vida é a gente com a gente mesmo,
na escuridão ou na luz,
junto ou misturado.

A vida é grande e pequena ao mesmo tempo,
grande pra sofrer, pequena pra se sorrir,
triste de se ver, alegre de se pensar.
A vida é deixar levar, sem atribulações,
sem muito calcular.
Matutar sim, calcular não.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Minas


     Eu grado mesmo é do choro da viola. O canto doído do vaqueiro que dedilha as cordas com o coração.
     Gosto do luar, lá em cimão do céu, rodeado de nuvens.
     O frio que envolve a fogueira que queima lenta, brasa por brasa. O pio baixinho da coruja, o grito miúdo do grilo e os passos do vento na grama.
     Oh meu Deus. Salva o sertão, o campo, a rocinha agraciada do interior.
     Acordar, abrir a janela indá cedin e vê o orvalho ainda na grama e ficar quetim embaixo do Sol tímido da manhã. Tomá um café e comer um queijo fresquin...
    Já invem a baruiada do moedor de capim, os cavalos e os bois já vem de mainsim comê nu coxo. A pataiada já começa a algazarra e de uma vez já pulam na água.
     Buscar cabresto, selar o cavalo e já parto pro pasto. Trem bom, sem igual!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A hora do faz de conta



A hora do faz de conta é aquela hora em que você sorri e finge estar sorrindo, quando por dentro se está chorando. É quando você acorda e olha no espelho e vê aquela pessoa que você gostaria de ser. Você então pega suas coisas e dá o fora de casa. Logo na rua, finge dar bom dia pro vizinho que finge estar preocupado com você com um vazio "tudo bom?".
Você finge pensar em coisas boas para que sua mente acredite na sua "fingição". Finge acreditar no futuro, finge ser uma pessoa boa, finge viver a vida da melhor maneira possível. Finge a arte de fingir. 
Pior é que você acaba acreditando.
Você acaba acreditando em si mesmo.

Você não ama seu companheiro.
Você não faz coisas boas para o mundo.
Você não é sincero, com ninguém nem consigo mesmo.

Fingir.
Fingir é pegar a verdade, lapidar, pincelar e fazer aquilo que você quer.
Véu e grinalda, terno e gravata, chupeta e mamadeira, carro e casa. Tudo construído da arte de fingir. 
Um castelo de cartas ininterrupto.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Lista de compras



Pedalar para bem longe
Aprender a tocar violão
Superar a mim mesmo
Ler mais
Trabalhar num asilo
Rir
Ler mais um pouco
Aprender algo novo todos os dias
Escrever muito
Abraçar meu cachorro
Passear com meu cachorro
Dar banho no meu cachorro
Tirar carteira
Estudar até o cérebro explodir

Desenhar 
Ler mais e mais
Me sujar de lama
Me lavar na chuva
Dormir sob as estrelas
Acordar sobre a grama
Acampar

Viver.


Esta é minha vida


Eu gosto do brilho. Gosto das luzes e do vento.
Gosto das lágrimas, das canções e do ar fresco da noite.
Não gosto ter que sustentar um sorriso, não gosto de olhar nos olhos, não gosto de quem não gosta de cachorros.
Não gosto da desesperança, não gosto do desespero e nem da ansiedade.
Gosto um bocadinho do medo, do medo bom. Não gosto é de sentir medo de sentir medo.

Adoro cabelos, adoro chuva e adoro café.
Café.
Não adoro tédio, não adoro remédio, não adoro álcool.

Eu amo o natal, pessoas mais velhas, montanhas e família.
Não amo humilhação, não amo menosprezo, não amo crueldade.
Amo bichos, amo pedalar, amo dirigir.

Detesto suar, detesto ter que escutar, detesto o "não estar".
Detesto ter que calar, detesto o sol de meio dia, detesto sentir calor.
Gosto da chuva, da névoa e dos pinheiros. Gosto da grama, da leitura e do frio.



quinta-feira, 8 de novembro de 2012

I'm leaving you


Among us there is nothing to say.
The shine which covered our eyes tell us about the destiny of our love.
When I went out and I left fall peaces of your heart, I made a mistake. Pieces which falling like fire tears in  a cave of darkness.
I did stop the time at that moment and only thing I could see over my shoulder were your eyes telling me to stay but there's nothing left to say.
The only thing rests in memory are fragments of past that falling like a rain in a unhappy day. Your face in my memory survives in a black and white photo opposite a window rain hoping I come.